terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Vida de jogo

Acho que muitos já jogaram aqueles jogos simuladores de parque de diversões, zoológico, estação de trem, casas.. Jogava muito há uns 10 anos atrás - acho - o sincity, rollercoaster, zootycoon, e via muitos jogarem o The Sims. Me chamou atenção esses dias sair uma nova atualização para o jogo Sims. (Agora na 3a versão).
É muito engraçado avaliarmos nossas vidas como a dos bonequinhos. Tente imaginar "implodir" uma porta, deixando o cômodo sem saída e logo estará de frente a um bonquinho dando voltas em torno de si mesmo procurando uma porta que "era para estar ali".
Ou quando o sinal fecha (vermelho) e seu personagem fica inquieto se movendo da direita para esquerda esperando a hora certa em atravessar.
Indo mais além, se nós fossemos os peões de alguém (Deus?!) seria curioso observar a hora em que nossa barrinha de "vida" ganha força e se preenche.
Sei que nesses jogos citados, podemos controlar a velocidade do tempo, meses e anos. Em tempo acelerado, vemos os bonequinhos correndo, levantando, indo ao banheiro, indo ao trabalho, dai ele volta correndo, toma banho, e vai pro quarto escuro dormir.
Meio louco isso né? Para um ser que ficou mais de 10 horas trabalhando, correndo em circulos num corredor, lendo, digitando, pegando papéis... tem sempre uma hora em que, estando cansado, ele retorna a seu habitat, se prepara apaga a luz e, por mais umas 8 - 9 horas, fica imóvel recebendo uma carga de energia para o dia seguinte.
(Ficar na cama e adormecer, a grosso modo é a mesma receita por exemplo da gripe, que em horas imóveis te deixa com maior resistência para ser "curado").
Sim, em imagem hiperacelerada.. é no mínimo interessantíssimo ver o boneco sair de sua morada, se sacrificar e voltar correndo para descansar. Numa espécie de calabouço ou tumba, ele ali se inquieta e adormeçe por horas no escuro.
Ô vida estranha. E quem disse que precisa ter sentido?
No final das contas, repetimos esse processo umas 30 mil vezes se preocupando com tanta bobagem, que uma hora, a carga vicia e a vida util vai diminuindo, até zerar.
Parece simples, mas é essa a idéia.
Aproveitarmos cada hora, sorrir e tentar a cada minuto, alcançarmos nossos sonhos, mesmo que por poucos segundos.
Senão você já sabe: Game Over.

K7 e Enciclopédias

Após uma longa pausa em razão dos preparativos e do casório propriamente dito, volto a postar algo.
Aliás, meus blogs estão mega desatualizados mesmo com bastante coisa para serem postados.
Então vamos lá, aos poucos vou atualizando.

Bom, ao fazer as arrumações, separar livros que traria à minha morada nova, me deparei com livros de décadas atrás. Leituras que hoje nem são mais consultadas, como por exemplo, manuais e enciclopédias.
Será que alguém se lembra dos trabalhos escolares em que tínhamos que ir até a biblioteca, abrir uns quatro volumes imensos da Barsa ou Britânica, deixando a mesa minúscula e sem espaço para copiarmos algum trecho? Que fim terá essas publicações? Nem sebo acho que aceita mais.
Isso gerou uma reflexão sobre a evolução de certas coisas. A tecnologia somada a nanotecnologia impulsionou e migrou para os dias atuais. A internet hoje substitui todos os volumes de livros. Seja romances, ficção, didático.. o Google anula esses extensos volumes que obrigatoriamente tínhamos que ter.
Livros? Agora pensemos em alarmes (algo que foi obrigado a “acompanhar” a evolução).
No início dos anos 80, quando meu pai tinha um Passat (placa AU3364), o alarme (um pino retrátil que era preciso puxá-lo para armar) ficava escondido embaixo do painel principal. E não era o mais moderno.
Hoje, com sensores de movimentos, controles via voz e som e monitoramento via satélite temos uma realidade totalmente oposta.
Ok, nem vou citar que para proteger de gatunos, levávamos nossos "tapes" em gavetinhas. Comum entrar no cinema e ver vários tijolos descansando na escadaria central.

Bom, a globalização já nos provou tudo isso e essa reflexão irá custar umas 20 “laudas” para colocar todo contexto bruto. Apenas para finalizar: E o mundo do áudio e vídeo.. nem citarei a evolução do vinil ou das fitas Betamax, mas assim como foi algo que fiquei pensando por um bom tempo, queria que você também pensasse... Ao separar as centenas de fitas VHS e fitas de áudio (hoje, ambas sem propósitos).. Lembra quando esperávamos horas a rádio tocar uma música que queríamos com o dedo no pause do gravador K7?

Mensagem divina

Após fazer 8 anos de curso de paraquedismo, um rapaz sabia exatamente tudo o que poderia acontecer numa queda livre. Estudou os tópicos mais inusitados, as situações mais raras, pesquisou e coletou dados que poucas academias continham. Enfim, chegou o dia.
Ele se vestiu o macacão e se aprontou. Fez o sinal da cruz e esperou o avião decolar. Nos 10 primeiros minutos ele checou a altitude, nuvens, pressão atmosférica, corrente de ar... e eis que na hora que a porta abriu ele travou.
Por que?
Medo? Insegurança? Excesso de ansiedade? Tilt de adrenalina? Descrença em realizar o sonho?

Na prática, algumas coisas não saem como esperado. Esses dias aprendi com uma história que um amigo contou:

Após abrir a porta do avião, o paraquedista, (ou um alpinista no cume da montanha...) deve abrir os braços, sentir a leveza da alma, a realização do seu sonho, sua consciencia pra lá de tranquila, seu coração aberto, crer em sua Fé e... Se jogar.

A natureza condena qualquer movimento retrátil e, toda vez que por medo ou insegurança você tentar retroceder, ela te penalizará. Sempre.
Você nunca voltará a ficar no "ponto em que parou". Seu passo será recuado e você fatalmente irá se ferir com o "antigo" ambiente.
O "segredo" é: "Faça sua parte, que Deus fará o resto.
(não importa a religião e qual o Deus que você leitor se identifique).
Se o que você deseja vai dar certo ou não, é consequência (de Deus).
Ele guiará, ira te iluminar e dar rumos. E cabe você, na hora, interpretar que isso é bom, mesmo que no momento você teime em não acreditar.
Caso não alcance o objetivo esperado, acredite: Era para ser assim, a razao é que virá coisa melhor depois e, essa não era a hora certa.
Tome decisões, siga, avance, progrida, conquiste e vença.
Essa é a tarefa que foi dada a nossas vidas. Sempre em frente.
"Faça sua parte, que Deus fará a Dele".

R.G., obrigado pela lição.

O dia em que Senna morreu

Após a batida de Massa e um documentário exibido pela GNT sobre Ayrton Senna, fiquei pensando sobre os memoráveis domingos em que acordava cedo para ver os Gp´s de Fórmula 1 junto a meu pai.
Lembro que desde 82, acompanho os campeonatos automobilísticos. Na época, a revista Quatro Rodas, junto com o suplemento "Grid" encartavam uma tabela para preencher a pontuação de cada piloto. Pintando os quadradinhos de acordo com os capacetes respectivos.
De Niki Lauda, Mansell, JJJ Letho, Patrese, Nanini a Prost muitas alegrias matinais em meus domingos. Mas o dia que Senna morreu eu e com certeza você que está lendo, se lembra bem.
Tivemos Fittipaldis, Piquet, Moreno, Gulgemin.. mas nenhum piloto era tão exemplar como Senna. Seja no esporte, vida social ou particular, Ayrton sempre foi um exemplo de homem Esforçado, íntegro, competitivo, sério, caridoso.. qualidades inúmeras que segundo meus professores do PioXii, o fizeram alcançar o título de "ídolo". Mito. Herói.
Ratzmberger e Barrichelo já tinham se acidentado nos dias anteriores e, por isso, a corrida já estava tensa. Naquela manhã, até Prost o cumprimentou dando as mãos. Diferentemente de qualquer outra prova (e o mesmo confessa que até hoje não se sabe porque foi quebrado o protocolo e costume) lhe desejou "boa sorte". Senna como presságio ficou minutos apoiado no spoiler sem dizer uma palavra.
A prova de Imola comecou e para nosso desespero, o tempo de Senna acabou.
Lembro como ontem. Galvão Bueno disse "...Senna bateu forte, Senna escapou e bateu muito forte. Ele vinha em primeiro, escapou e bateu muito forte".
Eu estava deitado no sofá de casa. Meu pai ao lado. Ambos sem acreditar na seriedade do acidente.
Pitoresco lembrar que na noite anterior eu teria recebido minha maior dosagem de álcool no organismo até então graças a várias caipirinhas de limão, no saudoso bar do Cleso do bairro Cambuí. E, no amanhecer desse dia, aquela colisão curou minha ressaca. Acho que a descarga de adrenalina foi tão grande que conforme o tempo passava, e ele não era retirado do carro eu ia ficando mais agitado. E quando vi, já estava "bem". Bem preocupado.
Na hora do almoco, Léo Batista de camisa polo preta decretava a morte cerebral num plantão da Globo interrompendo o filme "Enigma da Pirâmide" que a Globo exibia na sessão de domingo antes do Faustão. Horas depois o falecimento de fato.
Minha mãe tapou a boca com a palma da mão e meu pai fez "não" balançando o rosto.
Dificil explicar mas, pelo que representou, acho que todos brasileiros lembram aonde estavam, o que faziam, se viram ou se foram avisados da trágica notícia sobre aquele "ser" que fazia questão de erguer com orgulho a bandeira nacional assim como ouvir nosso hino.

Sonhos

Farei uma breve reflexão sobre sonhos, não digo desejos, (nem doces), nem almejos, mas as visualizações (na maior parte do tempo) noturnas. Como tenho a necessidade de questionar o que ninguém pensa, vai lá mais algumas bobagens:

Por que tantos não se lembram com o que sonham a noite?
Por um curto espaço de tempo, você acaba se esquecendo de uma miragem, um desejo, uma conquista, uma perda. O sonho na maioria das vezes (no meu caso) representa uma alusão a algum assunto que anda me preocupando. Como podemos esquecer de algo que tanto nos representa em tão pouco tempo?
Segundo ponto da reflexão: Se bebês e cegos sonham, com o que sonham? o bebê sem nunca ter tocado um objeto, num ter visto ou vivenciado uma situação imagina o que? E o cego que nunca visualizou uma figura, objeto?
Terceiro: Eu, já tentei forçar sonhos. Ao repousar a cabeça no travesseiro, fico imaginando por exemplo uma partida em um jogo de botões. Imagino uma disputa acirrada, tentando induzir meu cérebro a continuar a partida quando adormecer, mas.. óbvio. Nunca deu certo.
Será que só eu já tentei forçar uma situação imaginária? Simular uma ida ao shopping com uma companhia agradável, uma noitada num bar...
Deixa eu citar qual sonho mais legal que eu já tive.. deixa eu pensar. Acho que são os que eu vôo. São sempre bem vindos. A sensação de leveza e liberdade sempre me fazem bem.
Cessando um pouco o vislumbre, será tão anormal eu ficar questionando esses assuntos?
Aliás, desde o dia que eu comecei a por em cheque a velocidade da respiração, acho que devo ser meio anormal mesmo....
Como imagem do post ia colocarum doce "sonho", mas acho que além de desvirtuar, iria chamar tão pouco a atenção que menos pessoas se interessariam ao post. (ou por se assemelhar a uma receita, chamaria mais?)...
enfim, para não ser considerado um post totalmente inválido, deixarei palavras contrutivas para enriquecer nossa cultura e conhecimento.

De acordo com a mãe de todos (wikipédia, esposa do google), o sonho para a ciência, é uma experiência de imaginação do inconsciente durante nosso período de sono. Descobriu-se que até os bebês (no útero) têm sono REM (movimentos rápidos dos olhos) e sonham, não se sabe com o quê. Numa abordagem psicológica, o sonho sempre demonstra aspectos da vida emocional.
Ele pode ser dividido em 4 estágios:
1) Começa com uma sonolência. Dura aproximadamente cinco minutos. A pessoa adormece. É caracterizado por um EEG semelhante ao do estado de vigília. Esse estágio tem uma duração de um a dois minutos, estando o indivíduo facilmente despertável. Predominam sensações de vagueio, pensamentos incertos, mioclonias das mãos e dos pés, lenta contração e dilatação pupilar. Nessa fase, a atividade onírica está sempre relacionada com acontecimentos vividos recentemente.
2) Caracteriza-se por a pessoa já dormir, porém não profundamente. Dura cerca de cinco a quinze minutos. O eletroencefalograma mostra freqüências de ondas mais lentas, aparecendo o complexo K. Nessa fase, os despertares por estimulação táctil, fala ou movimentos corporais são mais difíceis do que no anterior estágio. Aqui a atividade onírica já pode surgir sob a forma de sonho com uma história integrada.
3) Tem muitas semelhanças com o estágio 4, daí serem quase sempre associados em termos bibliográficos quando são caracterizados. Nessas fases, os estímulos necessários para acordar são maiores. Do estágio 3 para o estágio 4, há uma progressão da dificuldade de despertar. Esse estágio tem a duração de cerca de quinze a vinte minutos.
4) São quarenta minutos de sono profundo. É muito difícil acordar alguém nessa fase de sono. Depois, a pessoa retorna ao terceiro estágio (por cinco minutos) e ao segundo estágio (por mais quinze minutos). Entra, então, no sono REM.

Manias

Pensando num tópico antigo sobre Meme´s, fiquei lembrando das loucuras e manias que cada um tem.
Estranho pensar em situações cômicas, incoerentes e subjetivas.
Para cada um, uma mania mais estranha que a outra.

Divertido porque as minhas manias, de certa forma - para mim - são normais e justificáveis. Mas "aceitar" manias alheias que é o desafio.
Além das tantas já postadas, (lencol, palavras invertidas, marcar livro, combustivel....) lembrei de mais uma:
- Calçar SEMPRE o pé direito primeiro.Chinelo, sapato, tênis, ... sempre existe a necessidade do pé direito ser calçado primeiro.
Então esta aí mais uma mania, mais um post.
Quem quiser se habilitar e postar outra mania estranha, fiquem a vontade.
Vou continuar me divertindo procurando noias alheias!

Ao vento (ato 1 e 2) *

A verdade
Em verdade, a verdade sempre é será verdadeira?
Não! a verdade sempre tem e sempre terá sua mentira.
Por outro lado, a mentira sempre terá seu lado verdadeiro ...
se tornando uma brincadeira ( e como sempre, com todo fundo de verdade)
A brincadeira mentirosa é verdadeira ?
Sim, mas irreal (e inexplicável).
Mentira verdadeira ; Verdade mentirosa
existência passadora / existência permanente / existência irreal = inexplicável!
A existência acabará sendo sempre uma dúvida (loucura !)
Sempre seremos (teremos) dúvidas (loucuras).

A esperança (a ajuda)
(...)
Esperança . Porquê alguns esperam algo ?
Esperam para ver ; esperam para prever ; esperam para esperar ( o futuro )
Para que esperar algo que não se pode mudar ?
É por isso que a esperança, a única e última coisa que temos é tão nossa e importante .
Ninguém, e ninguém tem o direito de nos limitar, encurtar, diagnosticar e tirar uma ou qualquer (toda) parte dela;
É tão nossa (e pessoal) que somente eu posso ouví-la .
Ela nos salva, nos ergue, nos faz chorar, nos faz viver e morrer .
Na pobreza, na doença, na solidão, na rejeição, na votória e na derrota, ela é tudo o que temos;
E sempre caberá a nós (e somente a nós) não a abandoná-la.
Se aprece, faça uma prece, te espero para te ajudar com toda esperança (que você -já- tem).
Não se esqueça, apareça. Não suma, apenas se una (com você e sua esperança). Assuma.
Tenha calma e fé; alguém lhe ajudará.
Tenha esperança, que você não se cansa.
Feche os olhos, se concentre, tenha forças.
É somente você.

* Agosto / Setembro 1996

Olho no lance

Muitos devem saber que trabalhei muitos anos com fotografia. (muitos anos mesmo!)
Cobrindo festas, polícia, acidentes, famosos, buracos, políticos, operações federais... fiquei muito tempo fotografando futebol.
Engraçado que eu ja fiz de tudo um pouco. E vi de tudo mais do que um pouco.
Mas nunca vi um gol do Rogério Ceni. Fotografei ele erguendo os punhos, comemorando títulos em finais de campeonato. Mas gol, necas de pitibiribas.

Em 02/07/05, escrevi essa foto legenda:

É impressionante! Nunca fotografei, aliás, nunca VI ao vivo um Gol do Rogérico Ceni.... E EISSS que na metade do 1o tempo surge uma falta na boca da grande area oposta. Foi muito interessante. Todos parados.. olhando a colocação da berreira e sem NINGUEM chamar ou ATE olhar, o Rogerio ja veio andando.. do gol até a meta oposta para chutar. Putz, na hora eu vibrei.. o cara tem feito gol TOOOODO santo jogo na Libertadores.. vai fazer aqui...Corri que nem Carl Lewis para o meio do campo... pq quando ele faz, ele volta comemorando pro gol.. seria o angulo ideal para fotografa-lo comemorando. Fotometrei, fixei o foco nele.. e nem liguei para focar o gol.. ou me importar em seguir a bola entrando.
Fiquei nele, deixei a máquina em vertical, ouvi o apito, meu dedo já semi-pessionado e.....
Eh isso aí que voces estao vendo.
Até agora não sei aonde a bola foi parar.

E, o mais curioso:
Ele voltou a minha cidade mais algumas vezes depois. E eu, sempre lá.
O dia que eu não fui, ele fez.
(Um ano e meio depois).

Esse texto é apenas para movimentar esse blog.
Muitas idéias, muitas inspirações, muitos rascunhos e claro, muita preguiça.

Seguindo estrelas

Radar danificado, bússula viciada;
Mapas incompletos, navegadores incompetentes.

Quando tudo parece se perder,
aposte na precisão da posição das estrelas e na velocidade e altura das marés.

Velas e âncoras à deriva. De Deus.
Confiar somente no que é enxergado e captado.
Pelo coração.


Sentidos apurados, olhos atentos;
Companhias certas e, sempre, guiado pelo instinto.
Do coração.

Sol de chuva

Semana cansativa, trabalho exaustivo.
No intervalo, fumaça do café.

Sol de chuva chapando meu rosto

estatelando minha sombra na calçada.
É o bastante para pensar no fim de semana...
lembrar de você

e sorrir.

A montanha russa *

A bebida russa, a montanha russa, a roleta russa.
todos com o mesmo objetivo: a provação. Vontade em vencer o desconhecido.
Não importa o frio, a falta de calor para beber e se manter aquecido, o suor frio, o frio na barriga para provação de um brinquedo, o sangue frio de desafiar a morte.
A nós, importa a estupidez humana, a loucura de uma paranóia. Pagar para sofrer.

Dirigir por dezenas de minutos, se expondo aos perigos, irritações e má sorte.
Enfim, se chega ao parque - das diversões. A risada é forçada, o dinheiro -que muitos não têm- é desperdiçado, para desafiar, passar mal, medo, num “brinquedo”. Carregado e engatilhado (e muitos ainda julgam seguros e eficazes).
Você escolhe de logo o pior e o mais caro.
Você compra o bilhete, o ingresso, a entrada: O convite.
Se paga pra perder algo que nunca vai ter. A coragem.

A montanha russa, enorme mostro, cova dos leões, desafiada por você.
Um gladiador, um lutador que um dia quis chorar, um simples humilde homem que um dia quis ganhar.
A cada passo, se inferioriza. Diminui, se empobrece, se enfraquece.

Chega a hora e você dá o ticket, carrega o tambor, cambaleia, assento a postos, a trava -totalmente insegura- se mostra ser satisfatória para desafiar a vida, e você se sente amarrado, preso e amordaçado. A velocidade começa a aumentar e você começa a girar. Órbitas.
É a primeira queda, apenas a primeira em relação as outras milhares que virão.
Se agarra ao cinto, a uma trava e fecha os olhos.
Como uma bebida amarga, comprime os olhos, numa amargura não só em sua boca, mas em sua mente e coração.
Gira o tambor e o brinquedo começa funcionar.
Lentamente o destino traçado vai se escrevendo. Mais um dia, sua vida.
A hora do disparo, um grito no escuro.
Ninguém pode te salvar.
Ninguém quer te salvar.

Você, preso numa cadeira semielétrica -por escolha própria-, querendo viver.
Você, chamando problemas, criando absurdas situações que em um dia mudará (para melhor?).
Você, apenas você, lutando contra o mundo e principalmente, contra você.

* Março de 1997

Antídoto: placebo

40 watts iluminando
promessas cercadas
de sorrisos e confissões.
Sonhos realizados, lágrimas sofridas
e desejos a conquistar.

Soulmates never die

5 metros quadrados
4 pés aquecidos
3 palavras mágicas
2 travesseiros
1 objetivo comum

Frenesi

Carne ao tubarão
* Após a bola estar ajeitada na marca penal, naquela olhada rápida ao goleiro, vê-se claramente ele rir e apontar "aqui, chuta aqui". Mesmo que não seja seu desejo, a vontede de massacrar, humilhar chutando ALI vem a tona. Você toma distância e como num tiro paga pra ver.

Sangue ao vampiro
* Verde. Carro lento a frente, sinal amarelo - "caramba, ele vai parar". Você já está embalado. Pressão no pedal, aumenta a velocidade, diminui a marcha, aumenta o giro, e eis que ele passa. Vermelho. Um. Dois segundos... Você pisa até o fundo.. e passa. Também.

Fôlego tomado do paraquedista em queda livre
* Churrasco entre amigos. Brincadeira de empurrar na piscina e jogar água. Balde cheio. Todos duvidam que você comece a brincadeira (pra valer). Ameaça. Uma. Ameaça duas. Olhares atentos. Nós dos dedos brancos bem apertados à borda do balde. A água voa. Quem mandaram duvidar.

Para os adeptos, manter o corpo suspenso por ganchos
* Último minuto de prova. Última questão a responder. Todos entregando a prova. Seria "C" ou seria "E". Sinal tocando. Caneta a postos. Advertências, todos parando de escrever. Finalmente... "E".

-·-··-··

Acabaram de me ligar.
Ele partiu.

Deixou cravado em nossas lembranças todos momentos memoráveis, engraçadíssimos e repleto de sacadas rápidas.
São tantas qualidades. Inteligente, sutil, sagaz, bondoso...

Como um filme em exibição, entro no meio da sessão sem entender o que se passa.
Cenas alegres que se sucedem e nunca terminam.

Nunca terminarão.

Grãos *

Muito tempo se passou;
muito tempo se esperou;
muito tempo se ganhou.
Tempo, para pensar;
tempo, para esquecer;
tempo, para viver;
tempo, para mudar.
Um tempo onde a espera fora ignorada e esquecida
(Uma espera como uma esfera) - sem saber o começo e o final
Uma espera sem (pequenas) angústias
Um tempo se esperou, um tempo se perdeu, muito tempo se ganhou.
Bastou paciência, bastou acreditar em você (mesmo),
bastou acreditar em ignorar (as maiores e únicas preocupações),
Bastou ignorar o Tempo (perdido).
Esse tempo que fez baixar a poeira para enfim se enxergar (e voltar ao mesmo ponto)
Estava num deserto, sem ninguém
Estava com sede, sem a preciosa água (e até tinha o inútil do dinheiro para comprá-la, só não sabia onde)
Se eu corresse, eu me cansava;
Se eu esperasse, eu morreria;
Se eu pensasse, me torturaria.
Foi quando um tufão se aproximou, um redemoinho (de problemas) se despertou,
A ventania veio, as areias se enfureceram.
jorravam angústia, força (de vontade), desespero e raiva
queriam machucar, queriam derrubar, queriam destruir (o pouco que já existia)
A areia subiu, entrou nos olhos, arrancou as poucas raízes que existiam,
Com os olhos fechados achei que o céu tremia e o chão rachava,
Ignorei os milhares de grãos existentes (nos olhos) e no ar,
Se eu não tentasse abrir, se eu não lutasse (contra mim mesmo) eu morreria.
ali, sem ninguém me ver, sem ninguém me escutar, sem ninguém me procurar.
Com coragem, ignorei os grãos, me fixei ao chão, ao cume de uma duna.
A ventania se acalmou, a areia baixou e eu, enfim, enxerguei.
Estou novamente ao deserto - vivo -, sem ninguém, sem a água e sem comida.
Estou novamente ao deserto - vivo -, esperando outro tufão.
Estou novamente ao deserto - vivo -, apenas vivo.


* - Março 1997

Você já foi crente?

NÃO! não é um tópico de religião. Acontece que escuto esse termo desde o primário escolar. Naquela época, era aquele que só tirava nota máxima. "Fulano é mó crente". Por força da galerinha a palavra ganhou força e esse era o termo. (Hoje, mesmo com a ajuda do dicionário Michaelis, não sei o que realmente queriam dizer. Depois dessa fase, crente passou a ser sinônimo de pessoas que não podem ver Tv ou cortar o cabelo).. mas isso já é assunto para outro post. Ok, mudando o termo para Crânio.
Você já foi um aluno Crânio?; CDF?; Nerd?; Nota10? ou simplesmente "O MELHOR ALUNO DA CLASSE"?
Em recordações, no primário, ginásio, colegial e faculdade conheci muitos. E nunca fui um deles. Logo nos primórdios, Eduardo usava sua Poly laranja 0.7 (todos usavam a 0,5) e eu achava que o segredo de ir tão bem era tendo uma lapiseira de grafite 0.7 mm ou falando QUAtorze e não catorze (termo que até hoje utilizo). Enfim, o cara só tirava 10. E ninguém tinha chances.
Anos mais tarde, uma japonesa chamada Melissa. A única a acertar uma questão de Ciências sobre as nuvens. Assim, foi a única a ganhar 10.
Na faculdade, Jacóbson surpreendia todos. Nunca abaixo de 9, era nota alta certa em todas matérias. Falava japonês e inglês fluente, era ex-militar e mesmo com naturalidade chegava a constranger a classe.
E vc? Já foi o crânio da turma?
Eu apenas ia bem em cursos paralelos como inglês e computação. Mas isso não conta. Carambolas, será que isso mudaria algo hoje? Seria almejado, cresceria com uma super auto-estima. Mas não, era aquele cara regular.
No colégio, era até divertido. Esses crânios viviam de certa forma isolados. A maioria que os cercavam era parasitas, diziam ser amigos mas, na realidade, queria nota.
Eram procurados apenas na hora de fazer trabalhos e em provas em duplas ou grupos. O cara mal sabia, mas bastava o professor dizer que iria ter trabalho ou prova que, mesmo sem o fulano saber, ele já estava no grupo de pessoas que ele nunca conversou.
Isso sem contar o fim de ano. Pessoas penduradas e desesperadas por notas que se aproximavam na maior cara de pau para tentar ganhar um parceiro.
De prova.

Sonho

Acordei assustado e inquieto, lembrei que era véspera de prova.
Daquelas bem difíceis. Da classe toda temer e nada saber.
Pra variar, eu - também - não estava preparado.
Despertei com a respiração alterada e com medo. Não queria tirar nota baixa.
Pensava nos conselhos de sempre "por que não vai revendo a matéria e anotando as dúvidas todos os dias após as aulas? Assim, quando chegar a prova, só retome os pontos já vistos e estudados".
Agora era tarde, a noite estava passando e a prova, chegando.
Compensava 're'ler o que faltava? Tinha 3 horas, ou seja, precisava entender a matéria nesse pouco tempo. Compreender uma página em, no máximo, 10 minutos.
Vencido pelo cansaço, insegurança e incertezas, voltei a dormir.
Acordei as 7 em ponto.
Fiz força para lembrar qual era a matéria da prova.
Sonado, levei cerca de 3 minutos para me contextualizar e acreditar.
Não tinha prova. Não tinha aula. Não tinha matéria alguma.
Eu já havia me formado e estava trabalhando.
Ganhando e não mais pagando.
Que absurdo. Não podia ser possível tamanha realidade.
O mesmo frio na barriga das provas que tive.
Que sonho voltar à essas provas.

Nada em provas. Tudo em sonhos.
Pesadelo gera pessimismo?

Escuridão *

Mesmo que passe todo o tempo necessário,
sempre será cedo para - saber/conhecer/lembrar -
Deste jeito , nunca poderei saber ,
serei sempre jovem demais para acreditar em certas verdades
- que eu não poderei ( e nem conseguirei ) esquecer jamais -
Espírito lembrado , coração quebrado , destino separado :
Impossível de ser curado

Nunca poderei acreditar para encarar a verdade
Assim , o tempo vai passando e eu esquecendo
- O que aconteceu ?
- Nada ( sabendo que o nada é E sempre será o tudo - de bom e de ruim ) .

O medo de entrar e encarar a noite, apagar a luz e tentar dormir
O medo de - sozinho - pensar em algo bom e tentar dormir olhando o teto escuro e sem fim
O medo que nos toma conta quando sabemos que devemos pensar em algo para não ser perturbado pelas obscuras sensações do medo

E enfim , dormimos ... pela fraqueza de tantas preocupações e paranóias
Dormimos devido ao desgaste de tantos problemas ( inventados ) e procriados .
Acaba a noite , começa a lembrança
querendo o esquecimento , detestando o acontecimento
acaba a lembrança , começa a noite

Sozinho no meio de tantas pessoas
desacreditando delas e do tempo perdido por elas .
E o que adianta ?
Querendo - sozinho - sair dessa roda de colegas ...
tentar fugir , quem sabe sozinho , para me encontrar ;
e , em algum momento me enfrentar para te chamar e te enfrentar
E o que adianta ?
Querendo - sozinho - escolher você no meio de tantas outras
para que , (quem sabe sem medo e com certeza) saia , sem olhar para trás
com coragem suficiente para te ignorar ( para sempre ? ).

* Fevereiro de 1997

Tudo sob controle

Sábado a noite, quase domingo, barzinho lotado. Gente bebendo, loiras rindo, garçom correndo, fila para o banheiro e na TV: Vale Tudo MMA.
Legal. Sangue espirrando, sexo masculino em peso acompanhando o esporte.
Tudo indo bem até que chega... Claudinho Parede. E ele não veio sozinho. Trouxe o mais temível companheiro. Seu parceiro de aventuras. Mais sincronizado que Batman & Robin.
Sim, e pior!... ele trouxe.. seu controle remoto universal.

Universal. Essa palavra até coloca medo.

Todos se divertindo até que "misteriosamente" todos monitores LCD de 50 polegadas passam exibir Zorra Total.

Olhares confusos. Conversas interrompidas. Missão cumprida.

Próxima parada, Blockbuster.

Ao deleite dos fãs de Xmen, muita ação, correria... momento crucial para o Wolverine saber sua origem e... aparece uma pescaria no Canal Rural.
Claudinho estica vagarosamente suas covinhas em direção às orelhas.
Esse é seu vício. Isso o faz feliz.
E, como se não bastasse, ele quer compartilhar sua felicidade. Obrigando todos a assistir o mesmo programa que ele.
Exato. Jornal Nacional perto de Claudinho? nunca!
"No Brasil, a gripe suína marcou ser recooooo****" (chiados/tela azul) -> cartoon network!
quem, onde, por que? Sim meus amigos. Ele mesmo. Claudinho Parede.

Começam os batuques indianos da novelinha das 8 (que na verdade é 9) e em 2 minutos lá está ele sacando seu fuzil de pilhas e controle óptico.
Splash! Jogo de golf. Isso prova que ele nem precisa gostar do programa, as vezes, basta apenas atrapalhar.(Rezem para que isso aconteça na casa dele - somente!). Namastê o cacete, Mtv neles!

Agora, após o desabafo, já sabem.
Se no melhor momento do filme, novela, noticiário, jogo ou simplemente ao abrir o portão de casa... acontecer algo... Chequem imediatamente o ambiente. Claudinho pode estar perto de você.

E ele nunca está sozinho.